O alumínio é um material que pode ser empregado
em praticamente tudo que existe no universo dos produtos manufaturados.
Seja como matéria-prima básica, acessório,
componente secundário ou substância de reação
permanente ou transitória, o alumínio tem e terá
espaço garantido não só nos produtos atualmente
existentes, mas principalmente em boa parte de “coisas”
que ainda serão inventadas.
Esta posição, no entanto, não é tão
confortável. Pois se por um lado existe um crescimento
vegetativo em função da substituição
e ocupação do espaço de outros materiais,
como no caso da madeira (móveis, esquadrias, estruturas,
etc), nos deparamos na contrapartida com o desenvolvimento de
elementos sintéticos que avançam vorazmente sobre
o alumínio, a exemplo das fibras de carbono que já
substituem o alumínio na fuselagem de pequenas aeronaves
e, mais recentemente a fibra de vidro - “it will be back”.
E, o que pouca gente se dá conta, é que despercebidamente,
os polímeros (plásticos) e o aço trabalham
“secretamente” unidos quase de forma siamesa e, só
desta forma, é que ainda conseguem resistir o inevitável
golpe do alumínio.
Como pretendemos tratar de questões estratégicas,
pensamos então, que a tal peleja do alumínio se
dará no campo da inovação e da tecnologia,
portanto não será um golpe baixo, nem de surpresa,
nem por traição... Temos que disputar o jogo limpo,
dentro das regras de mercado.
Neste contexto, já deveríamos nos acostumar com
a realidade e abandonar idéias fundamentalistas, como as
repetidas e frustradas tentativas de legislar em causa própria,
criando leis que obriguem o uso do alumínio nisso ou naquilo.
O alumínio precisa ser suficientemente capaz de se firmar
como material cujas características particulares justifiquem
por si mesmo, sua aplicação. Talvez tenha que atravessar
fases, aos olhos do mercado, como: a) viável; b) alternativo;
c) adequado; d) ideal; e) único. Poderíamos até
arriscar o palpite que muitas das aplicações e usos
que hoje vemos como sólidas, muito brevemente serão
inviáveis com o alumínio e, outras que julgamos
improváveis, talvez se tornem tremendos e rentáveis
nichos para o alumínio.
Quando falamos de “perfis inteligentes” relacionamos
o fato de estarmos trabalhando com a possibilidade de apresentar
alguma inovação no aspecto funcional dos tais perfis.
Obviamente, do ponto de vista técnico, todo perfil de
alumínio é ou foi desenvolvido partindo de uma inteligência
de projeto ou engenharia de produto. Mas não é apenas
destes aspectos construcionais que queremos tratar. O fato é que o alumínio submetido a extrusão
ganha por conseqüência a forma bidimensional. Basta
um corte (de qualquer forma ou direção) e pronto...
temos uma peça tridimensional quase pronta.
Mas se olharmos adiante, podemos imaginar que o termo “perfis
inteligentes” está muito mais relacionado com o uso
e a harmonia das peças extrudadas do alumínio com
o universo da sua aplicação, do que com sua forma
geométrica propriamente.
Um exemplo típico, não do alumínio, mas
do seu principal coadjuvante na Construção Civil
– o vidro – é exatamente a evolução
do vidro na busca em ocupar cada vez mais espaço no mercado.
Hoje temos uma infinidade de têmperas, espessuras e possibilidades
de curvamento que tornam o vidro um elemento altamente inteligente.
No caso do alumínio, os perfis inteligentes, deveriam
ou devem buscar uma composição com todos os materiais
aplicados no mercado, tanto na indústria como na construção
civil. Poderíamos citar uma vasta lista de exemplos. Na
indústria americana vemos que o alumínio convive
e trabalha de forma harmoniosa altamente produtiva com o aço.
Na Europa os perfis com “ponte térmica” são
uma realidade consagrada e isto mostra uma preocupação
clara com o meio ambiente, economia de energia, etc. Temos ainda
com muita propriedade, as esquadrias “alumínio-madeira”
que enobrece ainda mais a categoria dos caixilhos de alto padrão.
Os perfis com capacidade de compor estruturas que captam energia
solar (fotovoltaica), perfis para estruturas submarinas, perfis
para utilização em próteses médicas
e paramédicas e inúmeras outras aplicações.
Os perfis inteligentes estão diretamente relacionados
ao emprego racional do alumínio, na preocupação
com o meio ambiente, no trato com a engenharia de sistemas e todas
as preocupações de fazer com que as peças
de alumínio se tornem uma alternativa viável sob
os vários aspectos comerciais, sociais e econômicos.
Outro caminho que vemos para entender os perfis multifuncionais
são exatamente as múlplias facetas do alumínio
extrudado como peças semi-acabadas. Se por exemplo, conseguimos
desenvolver um mesmo perfil para esquadrias que possa ser usado
em várias tipologias (modelos de portas e janelas) então,
temos um perfil inteligente. Se conseguirmos substituir por alumínio peças ou
componentes que historicamente usavam outras estruturas de materiais,
também podemos dizer que temos uma situação
de perfil inteligente. |